quinta-feira, 28 de abril de 2011

Falta música na TV!



Ontem vi que a estreia do programa "Chico & Caetano", exibido pela Rede Globo, completou 25 anos. Na epóca, eu ainda não havia nascido, mas pude ver em diversos vídeos que se tratava de um bom programa, que priorizava a música.

Diante deste fato, parei para refletir. Pensei em como a música tem perdido espaço na TV com o passar do tempo. Antigos programas que respiravam música, como o "Mixto Quente", também exibido pela emissora dos Marinho, e os diversos especiais protagonizado por cantores e bandas em diversos canais, se tornaram extintos.

Para exemplificar, vou usar um cantor do qual gosto: Ney Matogrosso. No começo dos anos 80, a Rede Globo transmitiu um especial integral com Ney, intitulado "Ney de Souza Pereira". No final da mesma década, a extinta Rede Manchete também exibiu um especial. Ambos, pelo que pude pesquisar, mostraram shows do ex-vocalista dos Secos & Molhados, ou seja, possuíam uma boa quantidade de música.

Agora vamos pular para os anos 2000. Ney foi ao programa "Domingão do Faustão" lançar o seu CD "Inclassificáveis". Como curto o trabalho de Ney, aguardei pacientemente por sua apresentação. E, para minha frustração, o cantor adentra o palco do programa aos 45 minutos do segundo tempo e canta uma música e meia! Meia porque o tempo do programa havia se esgotado e era preciso ceder espaço à atração seguinte.

Mas tal característica não se aplica apenas à TV aberta. Alguns canais à cabo, que eram essencialmente musicais em seu começo, como a MTV e o Multishow, agora também dão prioridade ao entretenimento em sua programação e estão apostando em programas de humor.

Não estou afirmando que é errado dar espaço ao entretenimento. Mas a música precisa ter mais espaço na TV. Além de proporcionar belos espetáculos, a música é capaz de alegrar e conscientizar. Sinto falta de bons musicais na TV que priorizem a música. Quem sabe não surja um novo "Chico & Caetano" por aí...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

O telespectador sensacional

Roberto chegara em casa muito cansado. Havia trabalhado por mais de oito horas naquele dia, situação que acontecia com certa freqüência. Como de praxe, resolveu assistir ao Jornal Nacional para acompanhar as notícias do dia.

A data era 17 de fevereiro de 1986. Uma tragédia havia acontecido no Rio de Janeiro: o edifício Andorinha, localizado no centro da cidade, foi atingido por um incêndio. Apesar de ter certa sensibilidade para ver cenas de horror, Roberto não ligou para o comunicado lido pelo apresentador Cid Moreira, que dizia que a reportagem continha imagens muito fortes e recomendava que tirassem da sala “as crianças e pessoas que se impressionam”. Se arrependeu. As cenas das pessoas se jogando do alto do edifício, aliados aos gritos de desespero da repórter que testemunhava aquele momento, foram demais para o trabalhador. Foram noites de insônias e pesadelos até o restabelecimento.

Um pouco mais velho, nos anos 90, Roberto testemunhou a estreia de um novo programa, que prometia mostrar a “realidade como ela é”. Era o “Aqui Agora”. As cenas de gritaria, correria e desespero impressionavam Roberto, mas ele continuava acompanhando o programa, pois dizia que deveria ficar a par dos acontecimentos. Porém, um dia em que Roberto assistia tranquilamente ao “Aqui Agora”, os apresentadores chamaram a atenção para um fato que ocorria naquele momento: uma garota ameaçava se jogar do alto de um edifício, para perplexidade e desespero dos telespectadores. O que todos temiam aconteceu: a garota se jogou e morreu. Tudo foi exibido ao vivo. Roberto automaticamente se lembrou da cena do edifício Andorinha e novamente se abalou. Pensava que aquela garota poderia ser sua filha e imaginava o desespero de vê-la se suicidando ao vivo, na frente de milhares de telespectadores horrorizados.

Com o passar dos anos, o sensacionalismo estaria sempre presente na vida de Roberto de diversas formas, como nos programas similares ao “Aqui Agora” e até mesmo em telejornais “normais”. O último show de horror que assistiu foi a cobertura do massacre na Escola Tasso da Silveira, no bairro do Realengo, no Rio de Janeiro. As imagens das crianças correndo ensangüentadas e desesperadas foram deprimentes para o nosso personagem, que já era avô. Quanto mais as imagens se repetiam, mais agoniado ele ficava.

Pouco tempo depois, Roberto estava na rua, quando, de repente, um tiroteio entre policiais e bandidos se iniciou. Muitos conseguiram correr, mas nosso ilustre telespectador não teve a mesma sorte. Foi atingido por uma bala perdida e faleceu ali mesmo. Sua morte ganhou espaço nos principais programas de TV. Em alguns deles, seu corpo morto e ensangüentado foi mostrado por inúmeras vezes, para o aumento no número do Ibope de tais produtos televisivos.

Roberto tinha horror ao sensacionalismo, mas sua morte acabou sendo sensacional para editores e empresários midiáticos. Como diz aquela música da banda O Rappa, “nos jornais, eu vejo o meu sangue como capital...”.

* Roberto é um personagem fictício

terça-feira, 26 de abril de 2011

O Rodas Antenadas está voltando...




Meus amigos, é com muito orgulho que eu anuncio que o Rodas Antenadas está voltando, depois de um longo período de férias.


Nos últimos tempos, me dediquei (e continuo me dedicando) ao Guia Inclusivo e, por isso, este espaço foi meio que deixado de lado.


Mas a saudade falou mais alto e o Rodas voltará a ser atualizado, mas algumas mudanças ocorrerão por aqui.


Explico: como já falo sobre deficiência no Guia Inclusivo, tratarei prioritariamente de outros temas no Rodas Antenadas. Porém, o assunto deficiência poderá ser tratado aqui ocasionalmente.


Bom, é isso.


Amanhã já terá um novo post por aqui.


Conto com o acesso de vocês aqui no Rodas Antenadas e no Guia Inclusivo, combinado?


Um abraço,


Rodrigo Almeida