Roberto chegara em casa muito cansado. Havia trabalhado por mais de oito horas naquele dia, situação que acontecia com certa freqüência. Como de praxe, resolveu assistir ao Jornal Nacional para acompanhar as notícias do dia.
A data era 17 de fevereiro de 1986. Uma tragédia havia acontecido no Rio de Janeiro: o edifício Andorinha, localizado no centro da cidade, foi atingido por um incêndio. Apesar de ter certa sensibilidade para ver cenas de horror, Roberto não ligou para o comunicado lido pelo apresentador Cid Moreira, que dizia que a reportagem continha imagens muito fortes e recomendava que tirassem da sala “as crianças e pessoas que se impressionam”. Se arrependeu. As cenas das pessoas se jogando do alto do edifício, aliados aos gritos de desespero da repórter que testemunhava aquele momento, foram demais para o trabalhador. Foram noites de insônias e pesadelos até o restabelecimento.
Um pouco mais velho, nos anos 90, Roberto testemunhou a estreia de um novo programa, que prometia mostrar a “realidade como ela é”. Era o “Aqui Agora”. As cenas de gritaria, correria e desespero impressionavam Roberto, mas ele continuava acompanhando o programa, pois dizia que deveria ficar a par dos acontecimentos. Porém, um dia em que Roberto assistia tranquilamente ao “Aqui Agora”, os apresentadores chamaram a atenção para um fato que ocorria naquele momento: uma garota ameaçava se jogar do alto de um edifício, para perplexidade e desespero dos telespectadores. O que todos temiam aconteceu: a garota se jogou e morreu. Tudo foi exibido ao vivo. Roberto automaticamente se lembrou da cena do edifício Andorinha e novamente se abalou. Pensava que aquela garota poderia ser sua filha e imaginava o desespero de vê-la se suicidando ao vivo, na frente de milhares de telespectadores horrorizados.
Com o passar dos anos, o sensacionalismo estaria sempre presente na vida de Roberto de diversas formas, como nos programas similares ao “Aqui Agora” e até mesmo em telejornais “normais”. O último show de horror que assistiu foi a cobertura do massacre na Escola Tasso da Silveira, no bairro do Realengo, no Rio de Janeiro. As imagens das crianças correndo ensangüentadas e desesperadas foram deprimentes para o nosso personagem, que já era avô. Quanto mais as imagens se repetiam, mais agoniado ele ficava.
Pouco tempo depois, Roberto estava na rua, quando, de repente, um tiroteio entre policiais e bandidos se iniciou. Muitos conseguiram correr, mas nosso ilustre telespectador não teve a mesma sorte. Foi atingido por uma bala perdida e faleceu ali mesmo. Sua morte ganhou espaço nos principais programas de TV. Em alguns deles, seu corpo morto e ensangüentado foi mostrado por inúmeras vezes, para o aumento no número do Ibope de tais produtos televisivos.
Roberto tinha horror ao sensacionalismo, mas sua morte acabou sendo sensacional para editores e empresários midiáticos. Como diz aquela música da banda O Rappa, “nos jornais, eu vejo o meu sangue como capital...”.
* Roberto é um personagem fictício
quarta-feira, 27 de abril de 2011
terça-feira, 26 de abril de 2011
O Rodas Antenadas está voltando...

Meus amigos, é com muito orgulho que eu anuncio que o Rodas Antenadas está voltando, depois de um longo período de férias.
Nos últimos tempos, me dediquei (e continuo me dedicando) ao Guia Inclusivo e, por isso, este espaço foi meio que deixado de lado.
Mas a saudade falou mais alto e o Rodas voltará a ser atualizado, mas algumas mudanças ocorrerão por aqui.
Explico: como já falo sobre deficiência no Guia Inclusivo, tratarei prioritariamente de outros temas no Rodas Antenadas. Porém, o assunto deficiência poderá ser tratado aqui ocasionalmente.
Bom, é isso.
Amanhã já terá um novo post por aqui.
Conto com o acesso de vocês aqui no Rodas Antenadas e no Guia Inclusivo, combinado?
Um abraço,
Rodrigo Almeida
sexta-feira, 17 de dezembro de 2010
Um até logo (e mais um recado)
Olá.
Eu sei que este blog se encontra abandonado há muito tempo, mas acontece que eu estou planejando uma série de mudanças para ele (incluindo mudança de endereço). Mas fiquem tranquilos, pois vocês serão avisados quando isso acontecer.
Este deverá ser um dos últimos posts do Rodas Antenadas aqui no Blogspot. Então quero aproveitar o espaço para desejar a vocês um feliz Natal e um ótimo ano novo!
Para finalizar, deixo um recado do Sindicato do Metalúrgicos de Pindamonhangaba e Região:
Sindicato e associação promovem bingo em prol dos portadores de necessidades especiais
O Sindicato dos Metalúrgicos de Pindamonhangaba irá promover neste sábado, dia 18 de dezembro, das 14h às 18h, um bingo em parceria com a Adepi (Associação de Defesa dos Direitos dos Portadores de Necessidades Especiais de Pindamonhangaba). A meta é comprar cadeiras de rodas para pessoas de baixa renda.
O bingo irá oferecer cinco prêmios, sendo o primeiro uma cesta de natal especial e o segundo uma bicicleta.
De acordo com o presidente do sindicato, Antonio Romeu Martins, a ação faz parte do programa Sindicato Cidadão.
“Outras vezes já recebemos pedido de ajuda da Adepi. É uma entidade que já tem cinco anos de atividade e você vê que ela realmente precisa de apoio. Convido a todos para participar do bingo”, disse.
Segundo o presidente da Adepi, Wellington Teixeira, a entidade também fará o amigo secreto no sindicato. No sábado, a partir das 10h, cerca de 40 cadeirantes irão trocar presentes e parte deles também ficará até a tarde para participar do bingo.
A Adepi é uma entidade registrada no Conselho Municipal de Assistência Social de Pindamonhangaba.
O bingo será realizado na sede do sindicato, que fica licalizada à rua Sete de Setembro, 246, centro. Informações no sindicato, pelo telefone 0800-771-8589, ou diretamente na Adepi, pelo 3643-6488.
* Agradeço ao Guilherme Moura pelo contato.
Eu sei que este blog se encontra abandonado há muito tempo, mas acontece que eu estou planejando uma série de mudanças para ele (incluindo mudança de endereço). Mas fiquem tranquilos, pois vocês serão avisados quando isso acontecer.
Este deverá ser um dos últimos posts do Rodas Antenadas aqui no Blogspot. Então quero aproveitar o espaço para desejar a vocês um feliz Natal e um ótimo ano novo!
Para finalizar, deixo um recado do Sindicato do Metalúrgicos de Pindamonhangaba e Região:
Sindicato e associação promovem bingo em prol dos portadores de necessidades especiais
O Sindicato dos Metalúrgicos de Pindamonhangaba irá promover neste sábado, dia 18 de dezembro, das 14h às 18h, um bingo em parceria com a Adepi (Associação de Defesa dos Direitos dos Portadores de Necessidades Especiais de Pindamonhangaba). A meta é comprar cadeiras de rodas para pessoas de baixa renda.
O bingo irá oferecer cinco prêmios, sendo o primeiro uma cesta de natal especial e o segundo uma bicicleta.
De acordo com o presidente do sindicato, Antonio Romeu Martins, a ação faz parte do programa Sindicato Cidadão.
“Outras vezes já recebemos pedido de ajuda da Adepi. É uma entidade que já tem cinco anos de atividade e você vê que ela realmente precisa de apoio. Convido a todos para participar do bingo”, disse.
Segundo o presidente da Adepi, Wellington Teixeira, a entidade também fará o amigo secreto no sindicato. No sábado, a partir das 10h, cerca de 40 cadeirantes irão trocar presentes e parte deles também ficará até a tarde para participar do bingo.
A Adepi é uma entidade registrada no Conselho Municipal de Assistência Social de Pindamonhangaba.
O bingo será realizado na sede do sindicato, que fica licalizada à rua Sete de Setembro, 246, centro. Informações no sindicato, pelo telefone 0800-771-8589, ou diretamente na Adepi, pelo 3643-6488.
* Agradeço ao Guilherme Moura pelo contato.
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Rodas Antenadas 2 anos!
O tempo passou e eu nem tinha percebido que, no último dia 12, o Rodas Antenadas completou 2 anos de existência.
Esse blog tem se encontrado abandonado, mas ele está passando por uma série de mudanças que logo vocês verão. Aguardem.
Quero agradecer a todos que vem acompanhando o Rodas Antenadas nesses anos.
Valeu!
Esse blog tem se encontrado abandonado, mas ele está passando por uma série de mudanças que logo vocês verão. Aguardem.
Quero agradecer a todos que vem acompanhando o Rodas Antenadas nesses anos.
Valeu!
quinta-feira, 6 de maio de 2010
Triciclo para cadeirantes
Recebi, por comentário, uma interessante dica do leitor José Geraldo.

Este projeto com certeza é muito interessante e, no futuro, poderá auxiliar cadeirantes que possuem dificuldades em fazer transferência (da cadeira para o veículo, no caso), como eu.
Parabenizo ao Sr. Oraci pelo projeto e agradeço ao José Geraldo pelo envio da dica.
E antes de terminar, um recado: assim como o José Geraldo, participem do blog, enviando comentários e dicas interessantes. Vocês também trazem ao Rodas Antenadas vários conteúdos interessantes.
Trata-se de um triciclo - o Biga - que pode ser pilotado pelo cadeirante em sua própria cadeira de rodas.
Como pode se ver na foto abaixo, que eu retirei do blog Digital Drops (que também tem um texto que traz mais informações sobre o projeto) , o cadeirante "sobe" no triciclo utilizando uma rampa móvel e, além disso, há uma trava de segurança nela que segura a cadeira de rodas enquanto o veículo está em movimento.

Na reportagem de um telejornal (que você assiste clicando aqui), há uma entrevista com o criador do projeto, o engenheiro mecânico Oraci Silva da Costa, que ressalta que, mesmo quando o cadeirante possui um carro adaptado, ele precisa de auxílio para sair e entrar no carro. No triciclo ele não precisa deste tipo de ajuda. Ainda na reportagem, é informado que o triciclo, por enquanto, ainda é um protótipo.
No vídeo abaixo, uma pessoa experimenta o triciclo especial:
Este projeto com certeza é muito interessante e, no futuro, poderá auxiliar cadeirantes que possuem dificuldades em fazer transferência (da cadeira para o veículo, no caso), como eu.
Parabenizo ao Sr. Oraci pelo projeto e agradeço ao José Geraldo pelo envio da dica.
E antes de terminar, um recado: assim como o José Geraldo, participem do blog, enviando comentários e dicas interessantes. Vocês também trazem ao Rodas Antenadas vários conteúdos interessantes.
domingo, 14 de março de 2010
Vagas especiais: o fetiche de muitos motoristas

Pegando como gancho uma reportagem do Fantástico, que tratou do desrespeito às vagas especiais, a minha conclusão se confirmou: as pessoas param nas vagas especiais para deficientes e idosos porque sentem...digamos...um "fetiche" em estacionar ali, talvez por causa da facilidade que elas oferecem, já que, na maioria dos casos, as vagas se localizam próximo à entrada de um local, o que facilita a vida de qualquer um.
Mas tais pessoas que param nessas vagas nunca tiveram a consciência de uma coisa e que pode ser resumida em uma frase (que eu já citei por aqui): "A VAGA ESPECIAL NÃO É UM PRIVILÉGIO, É UMA NECESSIDADE DOS DEFICIENTES, IDOSOS E PESSOAS COM MOBILIDADE REDUZIDA".
No caso de um cadeirante, estacionar em uma vaga especial é essencial, pois é preciso que haja mais espaço para que a pessoa e a cadeira de rodas sejam retiradas do veículo, e as vagas especiais oferecem mais espaço. Enquanto uma pessoa "normal" dá seus poucos passos para sair do carro e entrar no estabelecimento, um cadeirante precisa retirar a sua cadeira de rodas do carro, montá-la, fazer a transferência para a cadeira e, aí sim, trancar o carro e ir embora. E, na maioria esmagadora dos casos, o cadeirante precisa de auxílio na realização da tarefa.
É importante ressaltar que o uso das vagas especiais não se restringe apenas aos cadeirantes. Idosos ou pessoas que usam muletas, por exemplo, e que possuem dificuldade de locomoção, também possuem direito de usar a vaga.
Recentemente tivemos, ao meu ver, um avanço neste aspecto. Agora só tem direito de estacionar nas vagas aqueles que se cadastrarem no Departamento de Trânsito e emitirem um certificado comprovando que naquele veículo é transportado um deficiente, um idoso ou uma pessoa com mobilidade reduzida. Quem estacionar nas vagas especiais e não tiver o certificado - mesmo que seja uma pessoa que tem direito à elas - será multado e perderá alguns pontos na carteira. O ponto negativo dessa lei é que a fiscalização não acontece em estacionamento de shoppings, local onde o número de ocorrências deste tipo é muito grande.
Então, caso você não possua nenhum tipo de deficiência e, mesmo assim, insistir em estacionar nas já citadas vagas, sugiro que você coloque a mão na consciência e reflita, porque enquanto você não encontra nenhum problema para sair do seu carro, uma outra pessoa com dificuldade pode estar passando por um perrengue porque teve que parar em uma vaga normal.
E lembre-se de uma coisa: estacionar na vaga sem o cadastro agora acarreta em multa e na perda de alguns pontos na carteira.
Pense nisso.
Foto: Google Imagens
sábado, 6 de março de 2010
Até que enfim!
Finalmente o primeiro post de 2010! Eu sei que já apontei milhares de motivos para justificar a minha demora em escrever por aqui, mas agora eu irei contar porque este espaço tem se encontrado abandonado nos últimos tempos.
Acontece que agora eu estou quase sem tempo. Estou fazendo estágio e, também, estou em processo de produção do meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), já que estou no último ano da faculdade de jornalismo. No TCC, falarei sobre deficiência e pelo andamento das coisas, o projeto vai ficar interessante.
Bom, espero que entendam o motivo da minha ausência e, sempre que possível, virei até aqui para trazer alguns conteúdos e, também, para trocar algumas idéias com vocês.
Abraços.
Acontece que agora eu estou quase sem tempo. Estou fazendo estágio e, também, estou em processo de produção do meu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), já que estou no último ano da faculdade de jornalismo. No TCC, falarei sobre deficiência e pelo andamento das coisas, o projeto vai ficar interessante.
Bom, espero que entendam o motivo da minha ausência e, sempre que possível, virei até aqui para trazer alguns conteúdos e, também, para trocar algumas idéias com vocês.
Abraços.
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